18 de mar de 2011

Fria?

Quinta à noite, não muito diferente de outras quintas, sextas, sábados... As amigas ligando e convidando pra barzinho, balada. Não tô a fim. Isso não mereceria um texto se não fosse uma coisa tão recorrente, mas tão recorrente, que fizesse eu me sentir uma velha, tipo uns trinta anos a mais, cada vez que repetidamente digo não. Sabe quando você não sente mais a mínima vontade de se socializar? Nada, nada? E eu nunca fiz o gênero antissocial...
Ontem conversava com outro amigo sobre isso. Ele na mesma vibe que eu. Uma meia dúzia de relacionamentos superficiais e infrutíferos, que despertam excitação, mas que nunca acordam o tesão. Aquele de alma? Vida sem graça... O trabalho é o máximo, a gente vai alcançando os objetivos, tudo muito bem, obrigado, mas... e essa apatia? Essa falta de vontade de... nem sei dizer o quê?
Vínculo? Você pode comer sei lá quantas pessoas, se pegar com outras "x" e não sentir coisa alguma. E fica tudo sempre tãooooo igual, tãooooo igual, tãooooo mais ou menos...
Às vezes eu sinto falta daquela parte de mim que, ao menos na minha lembrança, era puro destempero, puro descomprometimento... Eu cresci? Se é isso, então crescer é um saco. E essa minha conversa todinha começa é a me soar tão tola...

(...)

Eu tinha escrito sei lá mais quantas linhas, mas achei melhor apagar... Acho que alguns mocinhos que já passaram pela minha vida iam ficar deprimidos!rs... O fato é que eu uso a escrita como uma tentativa de controle que sei que é estúpida, porque ninguém controla nada nunca e isso eu tô cansada de saber. Mas saber nem sempre é agir de acordo com aquilo que se sabe. Na maioria das vezes só significa atraso ou covardia. E sentir verdadeiramente qualquer coisa me assusta pra caralho. E ativa todas as estratégias de defesa em mim.
É que nem sempre a vontade de mergulhar é suficiente, às vezes você precisa é do mergulho. E naquela piscina que te assusta horrores, ou porque você acha que pode se arrebentar, ou porque você pode achar bom demais e ter medo de nunca mais sair... A verdade? Se eu tiver oportunidade de sair correndo de qualquer história que me desestruture e balance, eu vou sair correndo. Você não? Vou escrever um texto, vou botar um rótulo, vou me defender... e de quê??! (A grande merda é que nem sei se acho isso defeito. Na boa.)

Hoje eu tô realista. Seca, bruta e realista. E acho q vou seguir um conselho (pasmem! meu... rs)... Há vários meses conversando com uma amiga tentando animá-la, sugeri que fizesse uma experiência... que se imaginasse nascendo em um lugar de realidade mais difícil, com uma aparência de que não gostasse, não tendo acesso às oportunidades que a vida lhe deu, não tendo sua profissão, seu emprego, sua liberdade ou o que pra ela importasse. Pedi que ela descrevesse o que ela enxergava pra mim, com detalhes. Quando ela terminou, eu disse: Agora imagine essa mulher tendo um dia de desejo concedido, um dia em que a vida dela pudesse mudar pra melhor e ela pudesse ser... VOCÊ!
É isso. Acho que as vezes a gente dá murro em ponta de faca. A vida não é tão complicada quanto parece na maioria das vezes... e se a nossa maior dor de cabeça é o tédio, convenhamos, então a gente não tem porra de dor de cabeça nenhuma.

Aquela mulher que eu imaginei lá atrás na minha brincadeira está aqui querendo aproveitar essas 24 horas em que terá a oportunidade incrível de ser a minha pessoa! rs... e eu vou levar ela pra dançar. De repente... fiquei a fim.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo belo texto. As vezes me sinto assim igual você escreveu, pensei que estas coisas só aconteciam comigo..
    É bom saber que tem gente parecida comigo espalhada por este Brasil a fora..
    Bjs
    selia

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  2. Obrigada Linda...
    Fico feliz que gostou e se indentificou :)
    Bjs'

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Quer que os outros compreendam o que jamais entenderei.[ C.L ]